A Metamorfose do Arbítrio.
Sob a névoa fria da história, o monstro não adormeceu, Não tombou no bunker em ruínas, nem nos escombros se perdeu. O totalitarismo é sombra, metamorfose de sombras e dor, Troca de roupa, de linguagem, de estandarte e de cor. O nazismo acendeu a fogueira da exclusão, Marcou corpos, rasgou livros, sufocou a razão. Acreditou-se que ali o mal havia desabado em cinzas, Mas a semente do arbítrio brota em várias províncias. Pela América Latina, o fantasma vestiu a farda, E no Brasil de 64, a repressão virou retaguarda. Nos porões do AI-5, no terror institucionalizado, O arbítrio se fez norma, o dissentir foi calado. Censores riscaram versos, vozes sumiram na noite escura, Sob a bandeira da "ordem", ergueu-se a ditadura. E quando a névoa parecia dissolvida no tempo, O autoritarismo voltou a soprar com o vento. O Bolsonarismo emergiu como a nova reinvenção, Reciclando o ressentimento, o culto e a divisão. O mito no altar, a ciência acuada pela paranoia, A violência do discurso or...




