O Voto e a Ética do Nazareno


Por David Santos | @davidcelebrante

Hoje vi uma postagem interessante: admiro quem só pensa no bem de todos de quatro em quatro anos. 

Refleti e concluí que não quero o bem de todos apenas no quadriênio, pois busco isso no meu agir cotidiano através do imperativo categórico que uma ética baseada nos evangelhos me ensinou. Quando escrevo isso, não estou promovendo demagogia, mas sim a minha busca de sair de mim ao encontro da alteridade.

O período eleitoral desperta em mim angústia, pois as escolhas coletivas não dependem de mim, mas me implicam diretamente. Meu estoicismo e minha ataraxia correm para longe neste momento. Hoje não brigo mais, mas choro sozinho, pois a dor do mais vulnerável me afeta. Ser afetado pelo outro faz parte da ética do Nazareno.

A vida não é para os fracos; pode até ser bem vivida pelos ignorantes, que comem, bebem, dançam e não percebem o mundo da vida.

No cotidiano, deparo-me com dores reais:

  • O jovem que me interpela na escola;
  • Os casais que ouço antes e depois da celebração;
  • O meu filho perguntando se vamos entrar na fila do osso;
  • As minhas próprias angústias;
  • Aquela pessoa desconhecida que estende o braço pedindo alimento.

E por que tudo isso? Tudo isso é para refletir que a minha escolha — o meu voto — não é apenas para mim, mas para todos. Infelizmente, vivemos uma época de esvaziamento político, em que o debate democrático se reduz, de um lado, a um senhor octogenário que lutou a vida toda e que, pela primeira vez na história desta terra invadida e saqueada, colocou o mais pobre no orçamento; e, do outro, ao bolsonarismo, que se resume ao ódio, à corrupção descarada e à morte.

Amanhã você escolherá alguém para votar — 13 ou 22 —, e sua escolha tem relação direta com seu modo de estar no mundo. A omissão também é uma escolha de estar ao lado de quem vence. Não me assusta em quem você votará; o que me causa cautela é o fato de dividir o Lebenswelt com a ética que o levou a essa escolha.

"O voto é livre, mas o chicote bate nas costas do mais fraco. Já olhou para as suas?"

Comentários

  1. Uma reflexão importante sobre ética, empatia e responsabilidade. Nossas escolhas dizem muito sobre como enxergamos o outro e a sociedade em que vivemos.

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