A Metamorfose do Arbítrio.


Sob a névoa fria da história, o monstro não adormeceu, Não tombou no bunker em ruínas, nem nos escombros se perdeu. O totalitarismo é sombra, metamorfose de sombras e dor, Troca de roupa, de linguagem, de estandarte e de cor.

O nazismo acendeu a fogueira da exclusão, Marcou corpos, rasgou livros, sufocou a razão. Acreditou-se que ali o mal havia desabado em cinzas, Mas a semente do arbítrio brota em várias províncias.

Pela América Latina, o fantasma vestiu a farda, E no Brasil de 64, a repressão virou retaguarda. Nos porões do AI-5, no terror institucionalizado, O arbítrio se fez norma, o dissentir foi calado. Censores riscaram versos, vozes sumiram na noite escura, Sob a bandeira da "ordem", ergueu-se a ditadura.

E quando a névoa parecia dissolvida no tempo, O autoritarismo voltou a soprar com o vento. O Bolsonarismo emergiu como a nova reinvenção, Reciclando o ressentimento, o culto e a divisão. O mito no altar, a ciência acuada pela paranoia, A violência do discurso ornada como joia.

É a velha raiz da intolerância, adaptada ao presente, Que odeia a diferença e envenena a mente. Pois o totalitarismo não é página virada no papel: É o eterno desejo do dogma de dominar o céu, Uma chama que reacende onde a memória adormece E que a liberdade, desperta, combate e jamais esquece.

— David Santos (@davidcelebrante)

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