Povo Novo: A Majestade de Lugar Nenhum
D. J. DOS SANTOS (@DAVIDCELEBRANTE)
Tenho sangue daquela gente que não é preta, que não é índigena, não é europeu, sangue do nada, do lugar nenhum; DNA de um povo que se constrói, que se reconhece e que, muitas vezes, no desconhecimento, não sabe quem é. Mas quem inventou o avião e que descobriu tanta e tanta tecnologia de que o mundo hoje desfruta?
Sim, sou brasileiro, brasileiro de verdade, aquele que exporta conhecimento, saber; que sustenta corpos saudáveis, que trabalham; corpos honestos, não só a imagem daquele brasileiro vagabundo, vadio, que não trabalha, mas o povo criativo que faz poesia, música e todo tipo de arte.
Fomos cunhados pela invasão portuguesa e por toda aquela estranheza que aportou das caravelas; fruto da imoralidade do sêmen europeu que derramou o sangue dos nativos, violentou mulheres indígenas e, ao mesmo tempo, deixou-se seduzir pela beleza de homens e mulheres desta terra. Depois, trouxeram acorrentados, nos porões dos navios negreiros, milhares de corpos escravizados que povoaram e derramaram seu sangue neste solo — os verdadeiros construtores do Brasil, da nossa arte, da nossa espiritualidade e da nossa tecnologia.
Não sou um povo qualquer; pertenço a uma linhagem de reis e rainhas que, trazidos para cá sob correntes, perderam sua majestade. Faço parte daqueles que foram degolados pelos que empunhavam a cruz, assassinados da mesma forma que Aquele que nela estava suspenso.
Sim, sou brasileiro. Carrego em meu corpo as marcas das correntes dos negros, das flechas dos nativos, do sangue do assassino e da fúria do libertador. Sou o Povo Novo: um marco estabelecido no seio de antigas civilizações, exportador de tecnologias e, ainda assim, explorado pelos que chegam nas novas caravelas. São assaltantes de nossas riquezas, mas, como brasileiro, sempre buscarei nossa liberdade. Um filho teu não foge à luta, nem teme, quem te adora, a própria morte!

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